novembro 19, 2004

O pais dos 10% - Analise ao texto de Mia Couto



Ok...ganhei uma inspiração repentina para uma breve reflexão.

Acabei de ler um texto de Mia Couto é claro,uma especie de ficção mas é uma situação bem real e actual no mundo capitalista e adaptavel no meio moçambicano,meio o qual pretendo voltar depois de terminar os estudos para trabalhar e ajudar com aquilo que aprendi,com as minhas expriencias a melhorar e desenvolver o pais.

Vou colar o texto no fim da minha reflexão.

Todos nós já conhecemos como é o meio e como ele funciona.Mesmo nós e eu próprio admito que algumas vezes funcionei desta maneira.
Cobrar os referidos 10% que o texto vai falar,mas a expriencia cobrar é bem menor que a ser cobrado,ser cobrado foi a maior.
Acontece até quando se quer renovar um bilhete de identidade,bilhete de identidade aquele documento civil que faz de nós uma identidade civil num pais!
Acontece quando vamos tratar do registo criminal,acontece quando tiramos a carta de condução,acontece quando vamos fazer o exame da carta de condução.
Essa ultima que referi então é absurda porque nao acredito que o director nacional de viação ou o ministro dos transportes não saibam desse fenómeno que acontece a anos todas as manhãs que alguem vai fazer exame de condução.
Se a regra dos 10% não funcionar ir a um bar e pagar uma cerveja em alguns casos já pode resolver alguma coisa.

É a mentalidade que nos persegue e é a mentalidade que afecta um pais que diz que quer se desenvolver,mas é uma mentalidade longe de ser mudada porque ela começa a ser desrespeitada pela elite que segundo aprendi na sociologia tem uma função importante de conseguir influenciar atravez dos seus comportamentos as outras hierarquias abaixo de si.
Se o ministro tem negocios e cobra 10% como não vai o secretario de estado roubar?É um exemplo,não tenho provas concretas que assim seja mas todo o povo pensa que é assim.

Esta na hora de a elite vestir o fato que lhe é devido e cumprir as suas funções de orientar aqueles que querem desenvolver o pais para que não caiam no erro de daqui a 20 anos continuarmos no erro de chegar ao fim e termos sido comidos a 100% como o texto se refere.

Nos entretantos do texto tive um pensamento que tenho tido a umas semanas.
Vem ai um novo governo.Ha de haver pessoas colocadas em posições importantes e fundamentais.Elas trabalham é claro mas é preciso haver transparência.
Infelizmente acredito que vai acontecer o caso de entrar com um jeep e ao fim dos 5 anos do seu mandato ter 4 jeeps mais 5 terrenos mais 2 novos negócios.
Há coisas que teem que se mudar...


Ai vai o texto.


Havia um país em que tudo funcionava na base dos dez por cento.
Havia um país em que tudo funcionava na base dos dez por cento.

Era o médico: - Mandas-me esse doente e eu pago-te 10%.

Era a criança de rua para um candidato a criança de rua: - Deixo-te guardar carros na minha área e dás-me 10 por cento.

Era o chefe: - Deixo a vossa empresa ganhar o concurso e vocês retribuem com 10 por cento.

Era o polícia: - Estou a telefonar para lembrar aquela multa que perdoei... recorde-se do combinado.

Era o director: - Coloquei-te no projecto como técnico... já sabes, não é?

Era o outro chefe em sussurro para o empresário estrangeiro: - Podem investir no nosso país mas... há comissões, é normal...

Tudo parecia correr bem, no país dos dez por cento. Na aparência, pelo menos... As pessoas trabalhavam a dez por cento, sonhavam nessa percentagem, viviam nessa escassa perspectiva. Tudo a dez por cento.

Mesmo a esperança a ser investida no futuro ocupava apenas uma fracção do coração.

Certo dia, porém, alguém pensou tomar uma iniciativa a 100 por cento. Meu dito, meu feito. O homem arregaçou as mangas e trabalhou.

E logo os amigos, familiares e colegas desataram a rir. Que o esforço seria em vão. Porque, nesse país, o construir era entendido como "comer". E ninguém pode "comer" sozinho. Viria o fiscal e pediria 10 por cento. Viria o camarário e pediria 10% para as licenças. Viria o ministerial e exigiria 10 por cento. Ou mais.

No final, ele acabaria por ficar com menos de 10 por cento das ideias, e do esforço aplicado resultaria quase nada. Que no país dos dez por cento o melhor é não fazer. O melhor é não construir, nem trabalhar. O que é bom e saudável é parasitar os que querem fazer. Sobretudo, os que querem fazer a cem por cento.

E assim, embora aparentando toda a normalidade, o país a dez por cento padecia de uma doença fatal. O problema é que um país a dez por cento só pode ser dez por cento país!

Mia Couto in Beco com saída - Revista mais

2 Comments:

At 5:12 a.m., Anonymous Anónimo said...

Kido Fofo, todos nós temos consciência desta triste realidade que apelidamos de "corrupção". Ela vive à nossa volta tds os dias...o que devemos fazer? desistir??? desistir de apelar de que é chegada a hora da mudança de atitude??NUNCA!!! Não é uma acção nada fácil, mas MAU é desistir de denunciar, MAU é desistir e entrar na teia, alimentando-a.... Denunciar, denunciar, denunciar e não entrar na teia, recusando-nos a dar todos os dias 10% ao policia, ao fiscal, ao chefe de secretaria, ao secretário do ministro, ao ministro....e devemos ser nós, cidadãos comuns ainda que anónimos,os primeiros denunciantes pois é a nós que mais nos toca enquanto outros vão enchendo o Bucho...
mUmmy

 
At 2:50 p.m., Anonymous Anónimo said...

estamos num mundo em que o individualismo e que reina, nunca pensamos num todo mais sim no particular.esquesemos queestamos de passagem nesta terra que nao nos pertence ate pode achar que estou falando de moral mas nao e a realidade.mudemos porque nao pertecemos anos mesmos.

 

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